O
ministro Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribuanl Federal), afirmou,
em aceno ao ministro Alexandre de Moraes, que a Corte não julga pessoas, mas
fatos e questões jurídicas, e que, antes de qualquer análise de mérito, deve
ser antes "resolvida a validade processual".
"Não
se julgam pessoas; julgam-se fatos e questões jurídicas. Não se antecipa o
mérito antes de resolvida a validade processual. A divergência é legítima; o
confronto pessoal não. E a decisão pertence ao Plenário, não a um Ministro
individualmente", afirmou o presidente no início da sessão.
O
uso de recursos ilegais por parte de Mendonça para se chegar às mensagens entre
Moraes e Vorcaro é uma das principais teses de defesa do ministro. Em documento
entregue a Fachin na segunda-feira (14), Moraes usou 26 vezes a palavra
"ilegal" para referir-se à atuação de André Mendonça e acusou o
colega de "motivação político-eleitoral" e de "tentativa de
vingança".
Moraes
alega que a leitura dos metadados, a eventual correlação temporal e a
atribuição de suposta autoria das mensagens carecem de perícia e são resultado
de "análise subjetiva" a partir de "determinação e
direcionamento" de Mendonça.
A
sessão do STF, considerada histórica, ocorre para analisar o relatório da PF
(Polícia Federal) que reúne mensagens e outros registros usados pela corporação
para apontar uma relação próxima entre o ministro Alexandre de Moraes e o
ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Antes
de discutir se o conteúdo justifica a abertura de uma investigação contra Moraes,
o plenário deverá se manifestar sobre o pedido da PGR (Procuradoria-Geral da
República) para anular o relatório da Polícia Federal.
A
Procuradoria argumenta que André Mendonça determinou a produção do documento
sem que houvesse pedido prévio do Ministério Público ou da própria PF e sem
submeter a medida anteriormente ao plenário.
Mesmo
se a nulidade for acolhida, há ministros que avaliam que o STF poderá encerrar
o caso sem avançar sobre o mérito das mensagens. Outros, porém, entendem que,
mesmo nessa hipótese, os elementos já conhecidos podem ser discutidos para
decidir se uma nova investigação deve ou não ser aberta.
A
sessão desta terça ocorre em meio a uma tensão na Corte, com trocas de ofícios
entre ministros, disputa pelo acesso às provas e questionamentos sobre a
condução das investigações feitas pelo ministro André Mendonça.
Antes
da sessão, ministros debateram, internamente, sobre quais documentos deveriam
estar disponíveis para análise prévia.
Na
segunda (14), a PF informou que entregou cópias dos dados extraídos do aparelho
celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros
Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes.
Também
na segunda, Mendonça também retirou o sigilo de um processo que reúne detalhes
sobre a rede de pagamentos de Vorcaro e do Banco Master.
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